quarta-feira, 27 de julho de 2016

Gatos e a espiritualidade.

  
Sabemos que os gatos tiveram grande importância no antigo Egito, ter um deles em casa era símbolo de proteção e sorte. Um grande exemplo é a deusa Bast, uma deusa representada com cabeça de gato. As mulheres os viam como símbolo de beleza e pintavam os olhos imitando o contorno do olhar dos bichanos. Era dedicada tamanha veneração aos gatos, que quando um deles falecia era costume raspar as sobrancelhas em sinal de luto, além de que eram executado os mesmos ritos fúnebres que eram feitos aos seres humanos, sendo embalsamados e sepultados.
No budismo também temos histórias sobre gatos, sendo dito que eles representam a espiritualidade, que transmitem calma e hamonia. Na Tailândia existe uma lenda sagrada que transcendeu o tempo para converter os gatos em seres únicos de paz e íntima união, havendo vários em muitos templos dos países asiáticos. É por isso que é tão comum ver tantos gatos dormindo e enrolados nos braços das múltiplas estátuas sagradas de Buda e outros temas que enfeitam os jardins dos santuários. Para a ordem budista de Fo Guang Shan, gatos são como pessoas que já alcançaram a iluminação.
Temos também o Maneki Neko, o gato da sorte japonês, um talismã em forma de gato usado para atrair sorte, proteção, prosperidade, felicidade e saúde. Maneki Neko significa literalmente “gato acenando” e se caracteriza por um gato sentado com uma das patas levantada, que seria para atrair sorte e o gato que serviu de inspiração para este amuleto foi o Bobtail Japonês, uma raça rara e muito antiga, além de ser a única raça considerada nativa do Japão.
É dito que o gato é um animal sensitivo e pode ver o "outro mundo", e aquele que conhece o caráter de um gato sente uma conexão íntima e profunda, tendo também poderes curativos, pois eles neutralizam as energias negativas. O local onde um gato gosta de dormir, geralmente é onde existe alguma energia parada, sendo assim o gato uma espécie de filtro, pois enquanto dormem transformam a energia ou a colocam em movimento.
O ronronar do gato muitas vezes mostra que ele está sintonizando seu campo energético com o da pessoa, ou neutralizando seu próprio campo, portanto é muito benéfico estar perto de gatos.
O gato representa o que está oculto, por isso quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente costuma não se dar bem com gatos. Ele também simboliza a liberdade, ensinando o amor sem o apego.
De fato é um animal misterioso e que possui percepções e sentidos aguçados.

Meow, até mais! 


Referências:

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Os Gnomos.

 (Art by Rien Poortvliet)

 Os chamados gnomos são relacionados ao elemento terra.

O elemento terra não significa literalmente a terra física dos quais estamos acostumados a ver, e sim sua essência, que tem atributos como estável, sólido, pesado, seguro, sendo assim o elemento base e mais denso.

Gnomos são chamados também de espíritos das árvores, os "homenzinhos velhos da floresta", o "povo pequeno". Podemos vê-los nas florestas, entre as árvores, e até mesmo na cozinha de algumas casas, pois é um local pelo qual eles se atraem.

Eles constroem casas com substâncias que se parecem com o alabastro, o mármore e o cimento, mas a verdadeira natureza desses materiais é desconhecida no plano físico. Afirma-se que cada arbusto, cada planta, cada flor tem o seu espírito da natureza, que freqüentemente usa o corpo físico da planta como sua habitação.

Os Gnomos são governados por um rei, pelo qual têm um grande amor e reverência. Seu nome é Gob; daí seus súditos serem frequentemente chamados gobelinos. Os Gnomos casam-se e têm famílias, e as mulheres gnomos são denominadas gnomidas. Alguns usam roupas tecidas do elemento em que vivem. Em outros casos a sua vestimenta é parte deles mesmos e cresce com eles como o pêlo dos animais. Afirma-se que eles sejam muito gulosos e que gastam uma grande parte do tempo comendo; mas ganham o seu alimento através de um trabalho diligente e consciencioso. Muitos são de temperamento avaro e gostam de acumular coisas.

As estações preferidas dos gnomos são a primavera e o verão, pois são muito calorosos e afetuosos. As cores verde escuro, ocre, marrom, cinza, dourado e prateado podem representa-los. São grandes protetores, adoram festas com muita música e comida, prezam pelo conforto e um lugar aconchegante. Dizem que possuem seu próprio idioma e código de conduta.

Para entrar em contato com os gnomos deve-se entrar em contato com a terra, como por exemplo, andar descalço, estar próximo a montanhas ou árvores, cozinhar (principalmente se for tubérculos como batatas), cuidar de plantas, abraçar pessoas, festejar (o clima de alegria agrada muito os gnomos), prezar pelo cuidado e limpeza do meio ambiente, oferecer moedinhas ou frutas, entre outros. 

 Com a benção dos gnomos, até mais!


Referências:
Magia Natural – Scott Cunninghan
Oficina das Bruxas

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Filme: O Sabor da Magia / The Mistress of Spices.

  
Tilo é uma mulher indiana, dona de uma loja de especiarias na Califórnia, e possui o dom mágico de conversar com ervas, temperos, flores e qualquer tipo de planta, podendo saber exatamente seu efeito mágico e de cura. Ela prepara poções para as mais diversas pessoas, porém existem regras das quais ela deve seguir, uma delas é que ela nunca poderá provar ou fazer poções para si mesma.
Ela ganhou esse dom ainda criança, orfã, quando depois de ser resgatada em uma praia depois de ser raptada por bandidos, passou um tempo estudando junto com outras meninas em uma espécie de ordem liderada por uma mulher que também percorreu esse mesmo caminho. Ela também adquire a habilidade de ver o passado e o futuro, assim como a leitura de mãos (quiromancia, muito comum na Ìndia).
As outras regras das quais ela deve seguir é que jamais deve tocar a pele de outra pessoa e nunca deve sair da loja. Sim, a vida e os dons dela são totalmente altruístas, totalmente voltados para ajudar as outras pessoas.
Os problemas na vida de Tilo se iniciam quando ela se apaixona por um rapaz que entra em sua loja ferido, e a partir daí eles começam a se aproximar. O sentimento é recíproco, e então as ervas, em especial as pimentas, começam a se rebelar contra ela.

O filme é um encanto do começo ao fim, porém é necessário ter sensibilidade e coração aberto para entender a mensagem e o sentido que a história passa. Muito da magia das ervas e suas propriedades podem ser aprendidos nesse filme.

Você pode fazer o download do filme aqui.
Também existe o livro: Compre aqui (em inglês) ou aqui (em português). O título do livro em português vem como "A Senhora das Especiarias".

Até mais!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Quem é o Diabo?

(O Diabo - Tarot de Marselha)

Esse post é sobre o Diabo.
Na imagem, temos uma figura um tanto perturbadora, a carta do tarot O Diabo, um ser andrógino, com garras, asas, olhar maligno, em cima de um pedestal em que amarra outras pessoas (escravos?) pelo pescoço. Repare que essas pessoas estão com as mãos livres, o que leva a imaginar que poderiam se soltar caso assim desejassem. Seus rostos variam entre algo como tristeza e ingenuidade. A partir dessa representação inicío o pensamento sobre quem é o Diabo. 
Fomos ensinados em nossa cultura cristã que o Diabo é um ser que vem para nos tentar, prejudicar, destruir tudo que for bom e nos levar para o inferno onde haverá torturas eternas. Mas será que é assim mesmo? Não cabe aqui que eu critique religião nenhuma, porém é sabido que muitas coisas e conceitos foram distorcidos pela igreja católica, e são ideias que muitas vezes carregamos enraizadas até hoje. O processo de despertar inclui a desconstrução dessas informações prontas que foram colocadas na nossa cabeça, e é importante acima de tudo questionar.
No nosso universo e na natureza, em uma visão mais transcendental não existe de fato o bom e o ruim. Tudo tem sua importância e função, nada é por acaso ou sem explicação, até mesmo o Diabo. Sim! De fato o Diabo tem um papel importante na estrutura da existência. Vamos falar disso mais a frente.
Primeiramente é bom deixar claro que o Diabo não é um ser. Não ele não é vermelho, com chifrinhos e tridente. Essa é uma das representações que temos dele, e tem toda uma história de como isso surgiu. Ele é uma energia, ou até mesmo uma das leis universais. Na cultura hindu esse tipo de representação é muito comum, como por exemplo na astrologia vedica (astrologia hindu), existe uma representação de um ser para cada planeta, o que obviamente não significa que o planeta seja mesmo uma pessoa/ser. É algo apenas para nos lembrar de suas funções e características, algo didático. Assim é com a figura do Diabo também.

(Representação de Saturno na astrologia vedica/hindu, chamado de Shani Deva) 

A palavra "Satanás" é traduzida como "opositor", aquele que se opõe ao objetivo primordial do homem. Em nosso mundo de reencarnações, karmas, sofrimentos, o objetivo principal é transcender tudo isso, e falando de uma maneira mais simplificada, alcançar quem realmente somos, ver a verdade por trás do véu da ilusão do nosso mundo material. 
A energia que chamamos de Diabo, Satanás, Capeta, trabalha para que não alcancemos esse objetivo, para que possamos ficar o maior tempo possível "presos" a matéria, reencarnando diversas e diversas vezes como uma roda sem fim. Para isso essa energia nos mostra prazeres temporários, alegrias passageiras, pensamentos egoistas (inclusive há quem diga que o Diabo é nosso próprio ego, num sentido mais filosófico da palavra), entre muitas outras armadilhas que nos afastam de nosso verdadeiro Ser, e consequentemente da iluminação.
Com isso pode-se entender melhor a figura da carta do tarot, pois ela nos mostra exatamente isso: O Diabo como uma figura que não é homem e nem mulher mostrando que ele é uma força indefinida que está por toda parte, chifres representando uma energia primitiva, oculta e extremamente material, energia sexual, nossas sombras internas que negamos, asas de morcego representando o "voo negro" ou seja, aquelas coisas pelas quais não desejamos nem falar, aquilo que temos dificuldade de lidar, a posição das mãos mostrando que "o que está acima é como o que está abaixo" (céu ou inferno é tudo aqui). Temos também as pessoas presas pelo pescoço. Essas pessoas representam nós humanos! Suas mãos estão soltas representando que nós temos total liberdade para lidar com isso, para nos soltarmos das amarras do Diabo, porém muitas vezes ainda agimos por ingenuidade, por fraqueza, e acomodação. Mas cada pessoa é a única responsável pela sua situação, ninguém pode ir até lá e solta-la. 
Lembrando que nada disso é bom ou ruim, é algo que faz parte do universo e tem sua função, porém nós em nosso livre arbítrio devemos escolher o que é melhor para nossas vidas, buscar transcender este mundo ou aproveitar tudo que o Diabo tem a oferecer e arcar com as consequências. Inclusive esse é um dos princípios do satanismo, ou a própria frase dita por Raul Seixas "Faze o que tu queres pois é tudo da Lei", baseado em um dos princípios de Thelema (filosofia desenvolvida por Alester Crowley). O que importa é ter consciência de seu caminho.


O Diabo e o Divino trabalham em conjunto para manter esse nosso mundo material. Em diversas culturas o Diabo é representado de várias formas, com vários nomes, muitas vezes na figura da própria natureza em si. É sua função manter nós seres vivos nesse mundo material, e não é uma maldade. É simplesmente como se fosse um jogo divino, uma brincadeira que devemos encarar com leveza e bom humor, buscando nossos objetivos sempre. É importante entender que o Diabo não é algo tão terrível assim, e simplesmente algo que teremos que lidar de uma forma ou de outra em nosso caminho.
Existe muito mais a ser dito acerca do Diabo, porém acredito que pude passar alguns pontos interessantes através desse post, e quem tiver interesse no assunto busque conhecimento através de seus estudos. 
 Então, nada de medo do Diabo hein? Até mais!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

DIY: Orange Candle/Vela de laranja.

Olá!
Quer aprender a fazer essa vela de laranja? Ela queima por horas e solta um cheirinho muito agradável pela casa. É super fácil de fazer e é bem natural.
Então vamos lá:

Você vai precisar de uma laranja, um limão ou grapefruit. Quanto maior for a fruta escolhida, mais tempo vai durar a sua vela.
Corte ao meio. Cada metade dará uma vela.

Esprema e retire o sumo. É importante que se deixe o bagaço, principalmente esse central.

Coloque um pouco de óleo vegetal dentro, e então você pode acender. Pode-se acender diretamente no bagaço central que foi deixado (como está na foto), ou você pode colocar um barbante dentro e então acender o barbante (a primeira opção solta mais o aroma).

E está pronta a sua vela de laranja! Você pode usar como decoração ou coloca-la no seu altar. Pode-se também fazer várias e colocar na janela. Seja criativo!


Espero que tenham gostado. Até mais!

terça-feira, 21 de junho de 2016

A Noite Escura da Alma - Parte 2.

Olá. Estou aqui então com a segunda parte do assunto sobre "A Noite Escura da Alma" (para ver a primeira parte clique aqui). Como eu havia dito, nessa segunda parte estarei falando sobre minha experiência pessoal nesse período tão complicado. 

(Cage by Noellosvald)

Quero dizer também que foi bastante difícil pra mim escrever sobre isso, pois foi um período muito confuso, repleto de acontecimentos e por isso demorei tanto para postar. 

Muito nova iniciei meu caminho de descobertas e auto-conhecimento. Tinha muitos problemas internos e então encontrei uma pessoa que me ajudou muito. Foi um professor que auxiliou muito no processo de despertar. Ele era ágil, enérgico e também ríspido. Suas palavras ecoavam em meu ser como verdades, e rapidamente minha vida foi mudando e se transformando.
E então a partir daí, fui trilhando meu caminho, sempre acompanhando suas aulas e estudando sobre espiritualidade. Descobri muitas coisas, passei por um grande processo de evolução e despertar. Cheguei em um ponto em que eu considerava ter a consciência super expandida.
Porém algo aconteceu. Esse mesmo professor que tanto me ajudou, começou a agir de maneira estranha, em especial com a minha pessoa. No começo eu ignorava, afinal tinha uma admiração e consideração gigantesca por ele, era meu maior exemplo. A situação foi se estendendo, e não teve mais como eu me manter de olhos fechados. Não cabe aqui dizer o que ocorreu, mas foram um conjunto de coisas decepcionantes. A partir daí adentrei nisso que chamam "A Noite Escura da Alma".
Sim, pensava eu, como uma pessoa tão evoluída como ele, com tantos conhecimentos e sabedoria poderia agir de tal maneira? Será que havia algo errado comigo? Comecei e ter milhares de pensamentos, procurando erros em mim mesma, procurando motivos, procurando respostas, muitas vezes vendo a mim mesma como a culpada de tudo. A tristeza foi tomando conta de mim, e eu me encontrava em um buraco sem saída.
Tive raiva dele, tive mágoa, questionei seus ensinamentos, questionei tudo que aprendi, questionei os Deuses, questionei o Universo, questionei os grandes Mestres da história, questionei toda a existência. Nada parecia mais fazer sentido. Eu que me considerava possuir uma visão abrangente de tudo, logo me vi tão perdida como uma criança que nada sabe sobre o mundo. 
Não conseguia mais praticar nada, era como se eu tivesse perdido a conexão com o Todo, como se eu estivesse completamente abandonada. Tentei conversar com algumas pessoas, e nenhuma delas parecia realmente poder me ajudar. A culpa que carregava em meu coração era constante.
No início disso tudo eu nem mesmo sabia que estava passando pela Noite escura da Alma. Eu simplesmente pensava que tinha algo de muito errado acontecendo e não conseguia entender nada. 
Coincidentemente esse período coincidiu com a finalização do curso que eu fazia com esse professor, e também me afastei da tradição em que ele lidera. Comecei a estudar em outro local, aprimorar conhecimentos e conheci muitas pessoas novas. Vi muitos pontos de vista completamente diferentes do que eu estava acostumada e percebi que não existe uma verdade absoluta sobre algo. Vi que pessoas seguiam aquele mesmo caminho de maneiras muito pessoais. Vi que a iluminação é algo muito subjetivo e não algo tão exato como eu havia aprendido. Tive ajuda de algumas pessoas em específico, com oráculos, com conversas, e entendi que até mesmo ele tinha influência do ego, que até mesmo ele tem suas sombras interiores. Sim, muitas coisas aquele meu professor via de uma maneira muito "quadrada", e eu acabei por absorver a mesma visão dele. E sim ele errou em muitas coisas. Em outras acertou. E outras era apenas a visão pessoal dele. Ele cumpriu o papel dele de me ajudar e me direcionar, cometeu erros como qualquer humano, e o maior erro foi meu de ter projetado na imagem dele alguém tão perfeito. Aprendi que alguém assim não existe.
Adquiri também uma visão completamente nova de todas as coisas que eu aprendi durante esse tempo, e muitas coisas surpreendentes foram acontecendo. Muita coisa que eu considerava essencial eu deixei para trás. Outras que eu havia abandonado voltaram a fazer parte dos meus dias. Fui me libertando de tantas amarras que não tenho nem como descrever. A cada dia eu me sentia mais livre. E entendi que nasci para ser livre. Estudar, praticar, aprender, entender tudo o que eu quiser e viver da forma que eu quiser.
No processo de despertar eu sentia muitas vezes uma solidão, um afastamento das pessoas, o que é normal pois você se vê tendo uma visão diferente da maioria, vê como se todos estivessem dormindo, todos estivessem vivendo suas vidas de modo mecânico. E essa solidão também passou. Posso entender verdadeiramente que cada um tem seu momento. Sinto que compreendo a todos muito melhor, e me vejo em todos também. Está tudo muito mais leve.
O Universo é tão sábio que essa situação foi necessária para que eu pudesse enxergar ainda mais além. Hoje eu dou até risada de como eu me considerava alguém desperta, e não percebia o quão longo ainda seria meu caminho. Hoje está tudo tão diferente. E provavelmente meu "eu" do futuro dirá a mesma coisa do meu "eu" do presente. E que assim seja, pois a evolução é constante.

Para finalizar eu gostaria de dizer que esse processo não é linear. Hoje eu sei que esse período está no fim, mas sei que em alguns momentos ainda tenho algumas sensações características da Noite Escura da Alma. E as descobertas nunca terminarão. Porém tendo a consciência disso tudo é muito mais fácil lidar com essa fase final. Talvez mais futuramente eu volte a escrever sobre isso. 

Portanto como eu disse no post anterior, A Noite Escura da Alma é uma benção. São as dores do crescimento. Eu me sinto uma pessoa completamente diferente depois disso tudo.


Blessed be.

sábado, 11 de junho de 2016

A Noite Escura da Alma - Parte 1.


 O termo "A noite escura da alma" surgiu inicialmente de um poema escrito no século XVI por São João da Cruz, um místico cristão e poeta espanhol.
Nesta obra ele aborda as dores do crescimento espiritual que uma pessoa pode vir a ter em sua busca de união com o Divino.
Ainda hoje citado na tradição cristã, um exemplo bíblico é o Rei Davi passando por uma série crise e angustiado diante de Deus, e ainda assim, isso não é condenado nem mencionado como falta de fé.

Hoje em dia é um termo usado dentro das mais variadas crenças e tradições, simbolizando da mesma forma, períodos das mais diversas dificuldades dentro da crença e espiritualidade pessoal de cada um. Os nativos norte-americanos consideram a Noite Escura da Alma como um rito de passagem, que fortalece a natureza guerreira do Ser, pois é necessário muita coragem e força para conquistar a vitória sobre essa fase tão difícil.
É dito que é a fase da dissolução do próprio ego, sendo esse o motivo de tamanha dor e sofrimento, é como um grandioso vale de escuridão em que se tem de atravessar para encontrar a luz verdadeira, e finalmente poder ver sem o véu da ilusão.

A Noite Escura da Alma pode ser desencadeada por diversos fatores na vida de uma pessoa, uma decepção, uma doença, uma perda, um abandono, entre outros. Esse acontecimento pode ser o gatilho que faltava para impulsionar esse poderoso despertar, e assim se inicia o caminho dentro dessa escuridão.
Não existe um tempo certo de duração, podendo durar de meses a anos, tudo depende de como se age diante dessa situação.

Alguns pontos em comum que se tem observado em quem está passando por essa fase são:

Sentimento de perda de conexão com o Divino ou Universo: Geralmente é uma pessoa bastante espiritualizada, com bastante conhecimento ou práticas dentro de sua religião/tradição/crenças, e em um determinado momento se vê desconectada de tudo, de alguma forma não sente mais a presença de sua divindade, as energias, guias, e nem respostas a suas orações, magias, meditações.

Sentimento de dúvida: A pessoa sente dúvida sobre o caminho que percorreu até o momento e passa a questionar tudo, sua divindade, suas práticas e sua própria vida. Tudo parece incerto e não é capaz de entender o que está acontecendo.

Sentimento de solidão: São tantos pensamentos e sentimentos confusos, que a pessoa sente que ninguém é capaz de compreende-la, se sente deslocada, sem lugar no mundo, e se sente abandonada pelo próprio Universo.

Desânimo e sensibilidade: Pouca energia, cansaço, e muitas vezes crises depressivas, falta de paciência e raiva. Em certos momentos pode questionar sua própria sanidade, pode sentir que está enlouquecendo.

Os sintomas podem variar entre esses e muitos outros, afinal é algo pessoal de cada um.

A Noite escura da alma é um salto, uma evolução de consciência, uma benção. Para aqueles que a atravessam com sucesso, é perceptível um antes e um depois de si mesmo, um renascimento, uma consciência muito mais expandida. 

Na parte 2 desse post, contarei um pouco de como foi que passei por esse período e minha visão pessoal.

Até mais!
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